Um novo inquérito global revela uma tendência surpreendente: os homens jovens (Geração Z, com idades entre os 14 e os 29 anos) têm maior probabilidade do que as gerações mais velhas de acreditar nos papéis tradicionais de género, incluindo a ideia de que a esposa deve obedecer ao marido. As conclusões, baseadas num estudo com 23 000 pessoas em 29 países, sugerem um ressurgimento de atitudes patriarcais entre o grupo demográfico masculino mais jovem.
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Os Números: Geração Z vs. Boomers
De acordo com o estudo da Ipsos e da King’s Business School, aproximadamente um terço dos homens da Geração Z concorda que a esposa deve sempre obedecer ao marido e que os homens devem ter a palavra final nas decisões importantes. Isto é o dobro da percentagem de homens Baby Boomer (62-80 anos) que partilham a mesma opinião: apenas 13% e 17% dos homens Boomer expressaram crenças semelhantes.
Embora menos mulheres da Geração Z tenham essa opinião (18%), o sentimento é ainda menos comum entre as mulheres Baby Boomers (6%). Estes números sinalizam uma clara divergência nas expectativas de género entre gerações, com os homens mais jovens a demonstrarem uma maior adesão às dinâmicas de poder tradicionais dentro do casamento.
Por que isso é importante: a ascensão do tradicionalismo
As conclusões da pesquisa não são isoladas. Outra investigação, inclusive do Survey Center on American Life, mostra que apenas 43% dos homens da Geração Z se identificam como feministas, em comparação com 61% das mulheres da Geração Z – uma disparidade de género maior do que nas gerações mais velhas. Isto sugere que os homens mais jovens estão menos inclinados a abraçar ideais progressistas de género.
Os especialistas atribuem esta tendência a vários fatores:
- Influência nas mídias sociais: Plataformas como TikTok e YouTube fornecem câmaras de eco para visões extremistas, tornando mais fácil para os jovens se conectarem com criadores de conteúdo misóginos como Andrew Tate.
- Ansiedade Económica: Numa economia em crise, alguns jovens estão a responder romantizando as identidades masculinas tradicionais como forma de recuperar o controlo e a certeza.
- Idade adulta atrasada: À medida que a adolescência se estende até meados dos 20 anos, muitos homens jovens carecem do apoio e da responsabilização necessários para desenvolver perspetivas de género saudáveis.
As implicações mais amplas
Este ressurgimento de crenças tradicionais levanta preocupações sobre o futuro da igualdade de género. Os psicólogos observam que os homens que têm opiniões rígidas de género são mais propensos a ter problemas de saúde mental, a envolver-se em assédio e a adotar comportamentos prejudiciais. O inquérito destaca uma lacuna entre as crenças privadas das pessoas e o que elas consideram como expectativas sociais — particularmente entre os homens da Geração Z, que se sentem pressionados a conformar-se com ideais masculinos ultrapassados.
O que pode ser feito?
Os especialistas recomendam conversas abertas com os jovens sobre o seu consumo de conteúdos online e encorajam o pensamento crítico sobre os papéis de género. A construção de sistemas de apoio, tais como programas de ano sabático ou serviço comunitário, pode proporcionar estrutura e responsabilização durante a idade adulta emergente.
Em última análise, abordar esta tendência requer um envolvimento proativo com os homens jovens, ajudando-os a navegar pelas complexidades da dinâmica de género moderna, ao mesmo tempo que desafiam ideologias prejudiciais. Esta mudança só acontecerá quando priorizarmos infraestruturas atenciosas e realistas que promovam a ligação e a responsabilização.

































