A atuação indicada ao Oscar de Rose Byrne em * Se eu tivesse pernas, chutaria você * não é apenas atuação – é um reflexo nítido das realidades brutais e muitas vezes invisíveis da maternidade moderna. O filme, dirigido por Mary Bronstein, baseia-se fortemente em sua própria experiência cuidando de uma criança gravemente doente, expondo um lado da paternidade raramente mostrado na tela. Este não é um drama sentimental; é uma exploração visceral do sacrifício, do isolamento e do pavor existencial que pode consumir uma mãe levada ao seu limite absoluto.
O ponto de ruptura: a descendência de uma mãe
O poder do filme reside na sua honestidade inabalável. A jornada de Bronstein começou quando sua filha de 7 anos precisou de tratamento acessível apenas em um quarto de motel em San Diego, forçando uma mudança que a tirou do apoio e da rotina. Enquanto seu marido continuava trabalhando em Nova York, Bronstein entrou em um ciclo de exaustão, vinho barato e tentativas desesperadas de manter alguma aparência de si mesmo em meio ao caos.
Não se trata apenas de cuidar de crianças; trata-se da erosão da identidade. Como a própria Bronstein descreveu, o medo não era apenas sobre a saúde da filha, mas sobre o que veio após a recuperação: *”Ela vai melhorar e vamos voltar para Nova York – e depois? Quem sou eu? O que vou fazer?”
Um sistema que falha nas mães
If I Had Legs I’d Kick You não foge das pressões sistêmicas que as mães enfrentam. Numa sociedade onde os direitos reprodutivos estão cada vez mais ameaçados, o filme destaca as escolhas impossíveis e os encargos impostos às mulheres. Bronstein aponta para o clima político atual: “É um momento estranho para ser mãe… Nossos direitos sobre como podemos decidir ter um filho… quem tem os recursos para tomar essa decisão? Quem não tem?” O filme não é apenas pessoal; é uma declaração política sobre um mundo que muitas vezes não apoia as mães.
O impacto e a ressonância do filme
A personagem de Byrne, Linda, personifica esse desespero. Ela concilia uma vida em ruínas, uma criança doente, um marido ausente e profissionais apáticos – tudo isso enquanto tenta manter sua sanidade. O filme mistura humor negro com terror surreal, criando uma experiência desorientadora, mas profundamente identificável. Como disse a Rolling Stone, o filme apresenta *”O ataque de pânico ininterrupto que é a maternidade”.
Este filme é importante porque se recusa a romantizar a maternidade. Mostra a verdade crua e feia: o isolamento, o colapso mental, a sensação de desaparecer num papel que exige tudo e oferece pouco em troca.
Em última análise, If I Had Legs I’d Kick You não é apenas um filme; é um grito. Um grito de uma geração de mães que foram forçadas a sacrificar muito e a esperar muito pouco.
